terça-feira, dezembro 21, 2004

SONHO BRANCO

Saio ao branco que corta a paisagem,
fofo veludo que abafa o meu passo,
se chamam não ouço se acenam não vejo,
sem rumo vagueio ao acaso, ao desejo ?
Errante procuro o calor do regaço,
daquela por quem embarquei na viagem.

Ouço o som surdo, que o floco entoa,
compasso furtivo, suave, expedito,
se chega, se vai, se passa se volta,
não vejo o que flui, que alma se solta,
que passa para lá do tempo infinito,
pois branco é o sonho que corre, que escoa.

Percorro mil léguas em busca de Ti,
num sono de flocos de neve enfeitado,
és tu que me encontras deitado aqui,
num leito de areia, na praia ancorado,
aceno e dou-te um beijo risonho,
acordo e em silêncio relembro o sonho.

VMM - 21-12-2004

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