terça-feira, dezembro 21, 2004

SONHO BRANCO

Saio ao branco que corta a paisagem,
fofo veludo que abafa o meu passo,
se chamam não ouço se acenam não vejo,
sem rumo vagueio ao acaso, ao desejo ?
Errante procuro o calor do regaço,
daquela por quem embarquei na viagem.

Ouço o som surdo, que o floco entoa,
compasso furtivo, suave, expedito,
se chega, se vai, se passa se volta,
não vejo o que flui, que alma se solta,
que passa para lá do tempo infinito,
pois branco é o sonho que corre, que escoa.

Percorro mil léguas em busca de Ti,
num sono de flocos de neve enfeitado,
és tu que me encontras deitado aqui,
num leito de areia, na praia ancorado,
aceno e dou-te um beijo risonho,
acordo e em silêncio relembro o sonho.

VMM - 21-12-2004

sábado, dezembro 18, 2004

ESPELHO MEU

Quando observo meu reflexo,
na tua alma estampado,
penso em mim na brincadeira,
olho-me doutra maneira,
as vezes fico preplexo,
outras mesmo envergonhado.

Esse espelho cristalino,
de um tom água-azulado,
são teus olhos que me fitam,
que a minha alma agitam,
na procura do destino,
a mim próprio revelado.

Encontro o meu Eu em Ti,
procurando em todo o lado,
o que de Ti está ali,
se estava por certo não vi,
porque estava bem guardado,
e não me revelas de Ti.

Onde estás que te não vejo ?
Nem sei bem o que perdi ...
Sei que é a mim que procuro,
mas as vezes conjecturo:
será mesmo o que desejo ?
E se o espelho já parti ?

VMM - 18-12-2004