quinta-feira, março 10, 2005

TU, MEU ESPELHO

Tu, meu espelho precioso,
se te vejo com o olhar,
não vejo de Ti a alma,
nem reflexo dos meus sonhos,
superfície bela e calma,
qual lagoa graciosa,
emoldurada de conchas,
e de moluscos risonhos,
feita de sol e de mar,
por artesão caprichoso.

Sim, meu espelho precioso,
se te olho com a mente,
procuro o que está atrás,
da superfície reflexa,
onde observo curioso
a aura difusa e quente,
das minhas boas e más,
qualidades e defeitos,
goste ou não do que me dás.
Artefacto coerente!

Se com o coração te olho,
ó meu espelho precioso,
nem vejo pele reflexa,
nem aura quente de mim,
antes sinto o luminoso
toque doce que me encanta
e ao de leve me revela
o que Tu de facto és:
Uma bela flor cheirosa
que reflito orgulhoso.

Que também um espelho sou.

VMM – 10-03-2005

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